A morte como musa inspiradora

Para o pessimista Arthur Schopenhauer, filósofo alemão nascido em Danzig em fevereiro de 1788, a vida é puro sofrimento e angústia. Mesmo assim, é natural temer a morte, pois ela representa o fim da consciência individual e da ilusão da existência. Mas enfrentar a morte sem negá-la nos coloca em posição de realizar questionamentos profundos sobre a existência em si.
Vamos usar a filosofia e experimentar olhar para a morte não como extinção da nossa individualidade, mas como libertação dos fatores limitantes da existência física?
Que ideias podem nascer além das limitações dos nossos sentidos? A morte pode ser apenas a vontade do “não-ser” se manifestando na realidade e se libertando da dor e sofrimento inerentes à vida.

Doença Terminal

Fui diagnosticado com uma doença terminal  
Depois de muita dor, perguntei: “Qual?”
Me disseram que se chama "Vida"
E que não há outra igual

Meu primeiro sintoma foi um nó na garganta
Veio da angústia de perceber como essa doença é boa de ceifar sem avisar
Quantos dos meus se foram sem nenhuma antecipação?
Perdi as contas ao mesmo tempo que entendi
A efemeridade da minha situação

Logo depois senti uma pontada aguda
Uma “faca” cirurgicamente deitada entre minhas 3ª e 4ª costelas
A memória do aço frio fundiu-se com a minha
Lembrei que ter "Vida" e não ter amor é sempre ansiar
Como é maravilhoso e doloroso, viver e amar

Eu, sangrando e sem respirar, finalmente sorri
Achando que encontrei meu lugar
Me joguei na ilusão esperando um abraço
Mas o escuro do abismo me engoliu
E perguntou: "Tá achando que ia ser fácil?"

Ninguém sabe se essa doença
Me leva em um mês ou em setenta
Mas doente de "Vida", como me sinto
Não parece fazer diferença

Errei? Devo ter errado
Tudo isso me foi falado no diagnóstico
Mas no ímpeto de ser taxado logo
Fui me queixar com os poetas
Ao invés dos doutores e seus receituários

O que eu faço, caros poetas?
A vida sempre continua
Igual a um ônibus apressado
Lotado, chacoalhando e freando
Só que esqueceram de me deixar uma barra livre
E já não tenho onde me segurar

Comentários

Ao entrar em contato com a obra de Schopenhauer, me vi tomado por uma tristeza profunda — como parece ser comum a todos quando começam, despretensiosamente na maioria das vezes, a folhear as obras do alemão. Enxergar a realidade através do prisma de sofrimento que ele propõe dá início a uma aventura que não parece empolgante, mas que é maravilhosa por ser libertadora.
O caminho para atingir esse estado de consciência seria guiado pela contemplação da arte em suas mais variadas formas. Ao nos colocarmos na perspectiva de apreciadores e criadores de um quadro, poema ou escultura, conseguimos posicionar nossa inteligência individual como espectadora de sua própria vontade se materializando na arte, sem viés algum. Aí é onde reside, para Schopenhauer, a libertação de toda dor e do sofrimento da vida.

📣 Reflexão final

“A poesia é uma forma de filosofia. E, por aqui, refletir também é sentir. Te convido a acompanhar a série #HoraDaPoesia aqui no Complexus”

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